Uma cidade inteligente e sustentável em plena Ilha

Pelo campus do Fundão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Governador, circulam diariamente cerca de 25 mil veículos e 80 mil pessoas. É muito mais do que o número de habitantes de muitas cidades do Estado do Rio. A projeção é que este número chegue a 109 mil pessoas/dia até 2020. Mas os impactos ambientais desta pequena “cidade”, com direito a prefeito e tudo, estão sendo minimizados a cada dia. A Cidade Universitária quer se transformar em laboratório para inovação e testar tecnologias sustentáveis que possam ser aplicadas a cidades “de verdade”. Uma verdadeira cidade inteligente e sustentável, que sirva de modelo para o país —ou, pelo menos, para outros grandes campi universitários.

A proposta é do Fundo Verde de Desenvolvimento e Energia, que há três anos utiliza recursos públicos que vêm da isenção do ICMS cobrado na conta de luz do campus —cerca de R$ 1,2 milhão por mês. O dinheiro se reverte em projetos e ideias para melhorar a mobilidade urbana e tornar mais eficiente o uso de recursos de energia e água. Várias ações já reduzem as emissões de carbono do campus. A malha cicloviária foi ampliada e criados 100 novos bicicletários. Quatro veículos elétricos, com capacidade para 74 passageiros, já circulam pelo campus, além de um ônibus movido a hidrogênio. 

Uma novidade agora é o compartilhamento de veículos. Dos 242 veículos da frota oficial da UFRJ, usados para serviços internos, cerca de 20 já são compartilhados, em fase de teste, com ajuda de um aplicativo para smartphone que permite gerenciar a demanda de todos os usuários de veículos leves. Também em testes, o aplicativo Carona Aê quer incentivar a carona solidária entre os estudantes, para racionalizar o uso de transporte individual. 

“Já temos muitas cidades universitárias se interessando nos projetos desenvolvidos aqui. Também fomos procurados pela Fundação Bloomberg Philanthropies (do ex-prefeito de Nova York, Mike Bloomberg)para avaliar de que forma as cidades podem contribuir para a redução de gases do efeito estufa”, explica a coordenadora executiva do Fundo Verde da UFRJ, Suzana Kahn. Segundo ela, o campus é um laboratório de medidas adotadas para melhorar a gestão de resíduos (esgoto e lixo), transporte e uso eficiente de energia. “Algumas empresas, como Nissan e Shell, já são parceiras neste tipo de avaliação”.

Suzana defende a inclusão das cidades na pauta das metas globais de redução de emissão de carbono, que serão discutidas a partir do dia 30, em Paris. “Se o Brasil, por exemplo, considerar o potencial de mitigação de suas cidades, poderá ser mais ousado em seus compromissos. Os grandes centros urbanos devem usar sua capacidade de liderança e influência política para pressionar que o acordo seja o mais ambicioso possível.”

Energia solar e gestão da água ajudam a economizar

Entre as soluções sustentáveis já implementadas na Cidade Universitária, estão dois sistemas de aquecimento da água por energia solar instalados no grêmio e no bloco I da Ilha do Fundão. O campus também inaugurou recentemente um dos maiores estacionamentos solares do país. Os painéis solares fotovoltaicos têm capacidade de gerar o correspondente a 140 MWh por ano, o suficiente para abastecer 70 casas. 

Soluções simples para racionalizar o uso de água do Centro de Ciência da Saúde (CCS) também foram tomadas, como a instalação de temporizadores nas torneiras e redutores de fluxo para evitar o desperdício, e a reutilização da água desperdiçada nos destiladores usados nos laboratórios da unidade para tarefas como rega de jardins. Um sistema de ar-condicionado híbrido movido a energia solar e gás natural deverá ser testado ano que vem.

Fonte: http://odia.ig.com.br/

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